De ETE a EPAR: A inovação da Gestão Hídrica do Espírito Santo
Texto originalmente publicado em 15/09/2025
O Espírito Santo está na liderança da inovação da gestão hídrica de uma forma inesperada: uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) será substituída por uma Estação Produtora de Água de Reúso (EPAR) como fonte de água para o parque industrial em Vitória. Encabeçado pela Águas de Reúso de Vitória o projeto, uma parceria entre a GS INIMA e a Cesan - Companhia Espírito Santense de Saneamento, é fruto da primeira licitação pública do Brasil para reúso de água, e será executado pela Veolia.
Um dos pontos centrais do Meet Point Estadão Think no começo de agosto deste ano, esta nova empreitada surge como uma solução interessante para a gestão hídrica local, graças ao uso de tecnologia de ponta. Composto de biorreatores de membrana de alto desempenho e osmose reversa, a nova EPAR será capaz de alimentar o novo parque industrial ao seu redor com 450 L/s (38.880 m³/d) e liberando recursos hídricos equivalentes ao consumo de cerca 200 mil pessoas, segundo a revista Hydro (editora Aranda).
Além disso, a EPAR também será responsável por tratar 85% do esgoto municipal da bacia de Camburi na capital do Espírito Santo, ampliando a estrutura de saneamento da região e garantindo mais segurança sanitária e ambiental e qualidade de vida para cerca de 300 mil pessoas na região metropolitana da capital capixaba. A tecnologia empregada possibilitará o tratamento de efluentes em diversos níveis, indo desde a remoção de sólidos até o processamento e remoção de contaminantes orgânicos e fatores como nitrogênio e fósforo.
Um investimento pesado, que poderá chegar a R$ 2 bilhões ao longo de 30 anos, segundo o Estadão, esta nova empreitada será a mais avançada estação de reúso do país, e possibilitará não só uma melhora na gestão da água como também do espaço físico utilizado em si: o projeto determina que a nova EPAR será 8 vezes menor do que a estrutura da ETE já existente no local, de forma que o terreno ao redor dela poderá ser repensado de acordo com as novas necessidades que surgirão com a expansão do parque industrial e para outros fins coletivos.
De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a pressão sobre os mananciais praticamente dobrou devido ao crescimento da atividade industrial e agropecuária do Brasil nas últimas três décadas, de forma que os próximos passos para a gestão hídrica adequada do país devem ser cuidadosamente pensados. Estações de tratamento como a nova EPAR do Espírito Santo podem despontar como uma alternativa para equilibrar este desenvolvimento e seus impactos ambientais sem comprometer o crescimento da economia e infraestrutura brasileiros.
Este novo modelo de gestão hídrica é uma solução de alta tecnologia e baixo custo que traz grandes resultados. “O valor da água não está em sua origem, mas na confiança em sua qualidade e na garantia de que ela estará disponível quando necessário. Setores estratégicos da nossa economia, como a produção de alimentos e diversas indústrias, são intensivos no uso da água. O mundo reconhece o valor estratégico da resiliência hídrica, e o Brasil está despertando cada vez mais nessa direção”, afirmou Eduardo Pedroza, diretor de Novos Negócios da GS Inima Brasil.



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