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O Saneamento Básico e a Bahia: de 2025 até 2040

rmszpak0
26 de fev.
3 min de leitura

Imagem: SEBRAE (divulgação)


O maior estado do Nordeste, a Bahia, ainda tem alguns fatores importantes a serem abordados quando o tema é Saneamento Básico. Uma pesquisa recente do Instituto Trata Brasil analisou a fundo diversos fatores da infraestrutura de saneamento básico no estado e apontou que mesmo que haja a necessidade de investimentos significativos no setor, esta também seria uma chance de gerar um retorno financeiro positivo de grande escala para um dos destinos turísticos favoritos do país.

O turismo, inclusive, é um dos pilares da pesquisa apresentada pelo instituto. Intitulada “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Bahia”, o estudo completo traz várias simulações de retorno sobre investimentos para diversas áreas ao longo de suas 74 páginas, englobando, além do turismo, os impactos positivos dos investimentos sobre fatores como a saúde da população e o crescimento do mercado imobiliário local.

De acordo com o Censo Demográfico, entre 2002 e 2022, a Bahia apresentou avanços consideráveis no setor de saneamento: foram 3,1 milhões de pessoas que obtiveram acesso à coleta de esgoto domiciliar e outros 3,4 milhões que passaram a contar com ​​abastecimento de água tratada, dentro dos 14,85 milhões de residentes do estado - isso sem falar na grande (e positiva) queda do número de casas sem banheiro, que foi de mais de 3 milhões para 182 mil nas mesmas duas décadas.

Porém, em 2024 foram registradas 2,849 milhões de pessoas em residências ainda sem acesso à água tratada, e um total de 8,677 milhões de pessoas sem coleta de esgoto devido à falta de acesso ao saneamento adequado. Em outros números, estes dados se traduzem em um déficit relativo de abastecimento de água que atinge 19,2% da população do estado, ao mesmo tempo que 58,4% da população baiana ainda se encontra sem acesso à redes de esgotamento sanitário - valores altos quando contrastados às médias brasileiras de 18,1% e 44,8% para os mesmos fatores, respectivamente.

No meio destes altos e baixos, no entanto, existe muito espaço para melhorar. O estudo conduzido pelos doutores Fernando Garcia de Freitas e Ana Lelia Magnabosco da EX Ante Consultoria Econômica, traz um cenário de grandes possibilidades, dentre eles, um retorno de 370% em benefícios para cada R$1,00 investido no processo de universalização do saneamento no estado, como ressalta Luana Pretto: “Cada real investido em saneamento pode gerar R$ 3,70 em ganhos sociais para a Bahia, um retorno elevado e próximo ao observado para o Brasil como um todo, que é de R$ 4,10”, afirma a diretora do Instituto.

Entre os ganhos anuais levantados pela pesquisa, até o ano de 2040 (quando a universalização deve estar concluída), estão R$73,892 milhões na área de saúde, diretamente atrelados a R$2,468 bilhões na produtividade no trabalho, junto de R$290,797 milhões em ganhos no mercado imobiliário e R$376,667 milhões na área do turismo. Em termos totais, no período de 2025 até 2040, os benefícios devem alcançar a soma de R$163,384 bilhões, dos quais R$ 112,036 bilhões seriam de benefícios diretos (renda gerada pelo investimento e pelas atividades de saneamento e impostos sobre consumo e produção recolhidos), enquanto cerca de R$ 51,348 bilhões estariam atrelados à redução de perdas associadas às externalidades. Por fim, enquanto os custos sociais no período somem cerca de R$76,041 bilhões, a previsão é que os benefícios excedam estes custos em R$87,343 bilhões, um balanço social muito positivo para o estado.

Já para um cenário futuro, uma vez que a universalização tenha sido atingida, estimativas apontam para ganhos de renda total na casa de R$79,111 bilhões no período pós-2040, com os custos totais para a manutenção da universalização chegando a, aproximadamente, R$51,162 bilhões. Logo, o balanço da universalização do saneamento até 2040 deve receber o acréscimo de um saldo de perpetuidade no valor de R$ 90,750 bilhões, gerando ganhos de bem-estar de R$ 178,093 bilhões a partir de 2040 - o que nos leva de volta ao valor anteriormente mencionado de R$3,70 por real investido.

Pesquisas como esta mostram que, além de necessária, a universalização do saneamento básico no Brasil será frutífera de diversas formas, trazendo muito mais do que apenas higiene e saúde para a população como um todo. Seus impactos serão positivos e de larga escala, a nível não apenas estadual, mas nacional, consequentemente.




 
 
 

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