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El Niño e a água: o excesso de hoje pode ser a escassez de amanhã

rmszpak0
30 de set.
2 min de leitura

Foto: Matheus Rodrigues


Em 2026, os os padrões de circulação atmosférica alterados pelo El Niño modificaram a distribuição das chuvas no Brasil. O fenômeno já tem contribuído para um cenário marcado por chuvas acima da média em algumas regiões e precipitações abaixo da média em outras.


A chuva é fundamental para a recuperação dos mananciais e reservatórios. Apenas entre 1º e 18 de setembro, os quatro reservatórios que abastecem o Grande ABC receberam 142,2 bilhões de litros de água, nível de precipitação que pode contribuir diretamente para a recuperação da disponibilidade hídrica e para a segurança do abastecimento.


Só no Sistema Alto Tietê, foram 54,8 bilhões de litros de água, e o Rio Grande opera neste mesmo período em 925, faixa considerada normal. Por fim, para o Cantareira, que já acumulou 68 bilhões de litros de água, isso significa um retorno  à margem dos 40,1%.

Porém, o outro lado da moeda é que mais chuva não significa, necessariamente, mais segurança hídrica. O próprio nível do Cantareira ainda está dentro da segunda pior faixa e surge quase como uma metáfora cautela para os especialistas sobre a visão geral acerca do fenômeno.


Espera-se que o El Niño produza justamente cenários opostos pelo Brasil, causando excesso de precipitação em determinadas regiões e déficit hídrico em outras. Por exemplo, enquanto municípios do Sul provavelmente venham a registrar volumes elevados de chuva, outras regiões do país poderão permanecer com precipitações abaixo da média.


Aliado a isso, e contraposto à abundância de água, as chuvas intensas em curto período aumentam significativamente o escoamento superficial e podem sobrecarregar galerias, canais e demais estruturas de drenagem, aumentando o risco de inundações e alagamentos em diversos locais.


Este desafio é ainda maior considerando que 32,49% dos municípios analisados pelo Instituto Trata Brasil declararam não possuir nenhum sistema de drenagem de águas pluviais. Além disso, somente 5,3% possuem um Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais.


Para a engenharia sanitária, esse cenário reforça a importância do planejamento e do dimensionamento adequado da infraestrutura. Sistemas de drenagem, reservatórios, redes de abastecimento, estruturas de controle de cheias e demais componentes do saneamento precisam considerar não apenas as condições médias, mas também a variabilidade e a ocorrência de eventos extremos.


Por isso, compreender o comportamento climático e planejar a infraestrutura de forma integrada será cada vez mais fundamental para aumentar a resiliência dos sistemas de saneamento, hídricos e o bem do estar do Brasil como um todo.

 
 
 

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